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Alguém que amo tem câncer

Colunista:

Marcelle Medeiros

Empresária. Fundadora e Presidente Voluntária da Fundação Laço Rosa. Pós graduada em gestão de projetos sociais e marketing. Conselheira estadual de saúde e integrante do Conselho de Direitos da Mulher da cidade do Rio de Janeiro; Labber 2015; Fellow PFP women empowrment; Vencedora da maratona de negócios sociais do Sebrae. Palestrante em eventos nacionais e internacionais.

Aprendizados

Querido (a) Leitor (a)

Quando alguém que amamos recebe um diagnóstico de câncer, seja ele de mama ou de qualquer outra natureza, um turbilhão de dúvidas e lágrimas gira na nossa frente. Todas as certezas que carregamos de viver a nossa vidinha ao lado daqueles que são muito queridos, de repente vai por água abaixo e o medo de nunca mais ver aquela pessoa, de presenciar o seu sofrimento, de não poder trocar de lugar com ela e sofrer as suas dores, se apodera da gente. Mas a notícia boa é que no segundo seguinte uma força absurda nos invade e viramos leões. Aprendemos a driblar esse medo e colocar no lugar dele uma tal de esperança carregada de fé. Nos recusamos a aceitar que a morte é o fim e atropelamos qualquer possibilidade de ausência da pessoa que amamos aproveitando cada segundo com ela. 

É sofrido, eu sei. Dói em quem está ao lado uma dor velada porque achamos não ser justo doer quando aquele que amamos sente uma dor física muitas vezes devastadora. Colocamos a nossa dor em segundo plano e choramos escondido no escuro do quarto para que ninguém veja, muito menos Deus. 

Não sou paciente, mas sou filha de paciente, neta de paciente, sobrinha de paciente, amiga de paciente e duas vezes irmã de paciente, o que me credencia para alguns aprendizados que divido com você agora, querido leitor:  

1) Doi, eu sei. Mas vai passar. Uma hora a gente entende que ser forte é a única opção para amparar aquele que amamos. 

2) Chorar é permitido. Somos humanos, ficamos tristes e ainda que a nossa dor nem de perto se compare a dor física de quem está doente, chorar nos faz perceber que também temos medo do desconhecido e que precisamos de quem cuide de nós. 

3) Pensar positivo sempre. Não importa a gravidade do caso, o jogo só termina quando acaba, então até o último segundo exercite tudo o que aprendeu sobre ter fé e acredite, milagres acontecem! 

4) O "pai google" muitas vezes confunde. Na ânsia por respostas, quando buscamos informação na internet estamos sujeitos a acreditar naquilo que queremos, para o bem e para o mal, então antes de enterrar alguém vivo, não se torture buscando palavras soltas na internet. 

5) O conhecimento salva. Quando sabemos o que estamos enfrentando compreendemos melhor a situação e isso acalma o nosso coração. Informação confiável é fundamental para ajudar na recuperação do paciente e para abrandar o caos que se instala dentro de nós. 

6) Cada segundo conta ao lado de quem amamos e é preciso fazer valer a pena a dádiva da vida, então aproveite quem você ama e todos os precisosos segundos. 

7) Aprenda com a experiência e faça o seu melhor para dar o melhor a quem você ama. 

8) Não é sua culpa. Nunca é culpa de ninguém e aprender isso é a grande sacada. 

9) Nada é impossível. Fé, independente de religião, é o que nos mantém firmes. Acredite no final feliz e faça o seu melhor para ele acontecer. 

10) Vai ficar tudo bem. De um jeito ou de outro esse pensamento é um mantra que nos coloca no prumo quando os dias estiverem muito ruins. 

Uma hora, mais cedo ou mais tarde, a gente agradece por toda jornada, por todo aprendizado e por não perder a esperança nos piores momentos. Uma hora, a gente celebra o privilégio da vida e o nosso entendimento de que ela continua, mesmo quando aqueles que amamos precisam partir antes de nós. 

Vamos que Vamos...

Marcelle Medeiros