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Data do Post
22/02/2018
/Papo médico

A importância dos hábitos saudáveis

Celebramos no dia 04/02, o Dia Mundial de Combate ao Câncer e no dia 05/02, o dia do Mastologista e da Mamografia.

A publicação da Estimativa de Câncer no Brasil pelo INCA, lançada em alusão ao dia Mundial de Combate ao Câncer, demonstra a expectativa de cerca de 59.700 novos casos de câncer de mama.

Por anos a fio observamos campanhas como “Mamografias Salvam Vidas” e, em nosso país, na prática, observou-se pouco ou nenhum impacto na redução da mortalidade por câncer de mama, muito embora tenhamos mamógrafos espalhados, (de forma desigual, sobretudo nas capitais), em todas as regiões deste País de dimensões continentais.

Ainda sem entrar no mérito das diferentes recomendações (Anual a partir dos 40 anos ou Bi anual, a partir dos 50 anos,) muito precisamos discutir sobre como Salvar Vidas.

Gostaria de discutir, brevemente, como Salvar Vidas.

É notória e indiscutível a associação entre Sobrepeso e risco de desenvolvimento de aos menos três tipos de câncer (mama, endométrio e cólon).  O índice de massa corpórea – IMC , medido pela seguinte relação: IMC=   peso/ altura (2) é uma das formas mais utilizadas para avaliar sobrepeso (quando relação for > 25< 29), Obesidade (30-39,9) e Obesidade Mórbida, quando acima de 40.

Nas últimas décadas, diversos estudos demonstraram aumento da incidência de sobrepeso e obesidade, sobretudo nos Estados Unidos e sua correlação com Câncer de mama.

Hoje, os mecanismos destas associações já estão bastante claros. Tanto a obesidade, como o Diabetes Tipo II (Não insulino dependente), associam-se a uma série de reações em cascatas, comumente denominadas Síndrome Metabólica, que agem de forma sinérgica, promovendo “inflamação” e liberação de substâncias que ativam o crescimento tumoral. Destas, as mais conhecidas são os chamados ˜insuline Like Growth factors”( fatores de crescimento insulina Símile).

Desta forma se pensarmos em salvar vidas, devemos evitar o aparecimento dos tumores. Parece lógico, mas como seria possível?

A adoção de hábitos saudáveis de vida, com exercícios físicos regulares (30min/dia 5 x semana), alimentação regulada, pobre em carboidratos, álcool e açúcares, e controle rigoroso da glicemia e colesterol, colaboram na redução do risco de mais de 30% dos casos de câncer de mama.

Para isto, não é preciso senha em posto de saúde para exames, nem portaria ministerial que regule a idade em que se deve ou não fazer este ou aquele exame.  Basta “FORÇA DE VONTADE”. A PRIMEIRA AÇÃO PARA PREVENÇÃO DO CÂNCER SÓ DEPENDE DE VOCÊ.

Mesmo que tenha realizado todas as medidas de prevenção primária do surgimento do Câncer, descritas acima, ainda assim você corre risco. O risco foi minimizado, não eliminado. Agora, devemos nos concentrar em detectá-lo o mais precocemente possível. Aqui entra a mamografia.

Nos países desenvolvidos, sobretudo Inglaterra, Suécia, Estados Unidos e Canadá, diversos estudos com mamografia foram realizados, demonstrando redução da mortalidade tanto na faixa de 40-49 anos, quanto acima dos 50-69 anos. Claramente a redução da mortalidade foi maior nos grupos maiores que 50 anos, o que norteou a maioria dos programas de governo em diversos países a elaborarem recomendações de que a mamografia deva ser realizada a partir dos 50 anos, bianualmente.

Na prática, existem questões pouco discutidas atualmente e que são essenciais.

Os estudos que demonstraram eficácia da mamografia em redução da mortalidade foram realizados nas décadas de 70-80, quando a qualidade das mamografias era infinitamente inferior a que temos hoje. Ainda sobre os estudos, todos foram realizados em países acima da linha do Equador, com medicinas de excelente qualidade e acesso completo ao tratamento em tempo hábil.

Por outro lado, os tratamentos realizados naquela época são completamente diferentes dos que temos atualmente. Nos últimos 20 anos, o conhecimento do DNA da biologia tumoral e de novas técnicas laboratoriais, possibilitou a classificação do Câncer de mama em quatro subtipos diferentes, com tratamentos eficazes e personalizados, com grande impacto na redução da mortalidade desta doença.

Não significa de forma alguma que a detecção precoce não tenha importância.  A detecção mamográfica dos tumores, permite sua descoberta quando ainda milimétricos, (2-3mm), anos antes de se tornarem palpáveis (2cm) e percebidos pelo médico, que ainda assim, palpa 2-3 anos antes da maioria dos pacientes que chegam aos postos de saúde no Brasil (5 cm).

A descoberta de um tumor de 2 -5 mm, pode evitar a quimioterapia, talvez o mais temido dos tratamentos. Sem falar da possibilidade de realizar cirurgias menores, com menor mutilação. Isto é o que chamamos, de benefícios da mamografia além da mortalidade.

Para que as mulheres tenham acesso a este benefício, é fundamental que as coisas funcionem como uma linha de produção. Façamos uma comparação imaginária com o sistema de transporte da Suécia e do Brasil. Ao desembarcar em Estocolmo, podemos observar a presença de um trânsito tranquilo e poderíamos imaginar que fosse pelo sistema de Metro. Se ao chegássemos ao Rio, e comprássemos trens de metrôs para resolver o problema, não teria impacto nenhum, uma vez que não temos trilhos, maquinistas, estações, ou seja só o trem não resolve.

Assim ocorre com a mamografia no Brasil. Independente da idade em que o Ministério recomende o “trem não anda”. Não anda pois as mulheres não tem onde investigar as alterações vistas na mamografia, não tem acesso aos médicos, e quando chegam aos postos de saúde, chegam com tumores volumosos, decorrente de toda a ineficiência do Estado, e não do exame. Ainda assim esperam de 6 a 12 meses, para terem seus tumores tratados.

Isto não significa que nas condições ideais o exame não funcione. Aí está a perversidade do Estado Brasileiro. As mulheres que tem acesso a Medicina Suplementar, ou mesmo que pagam pela realização dos seus exames, têm muitas delas no Brasil, parque tecnológico com a mesma qualidade dos países de primeiro mundo, possibilitando detecção precoce e tratamentos mínimos, com a máxima segurança.

 

Em Resumo, fica a dica: diminua seu risco de ter câncer de mama:

Faça exercícios regulares, dieta e controle seu peso e colesterol.

Fique atenta ao diagnóstico precoce:

Procure realizar a mamografia a partir dos 40 anualmente. Discuta com seu médico os riscos e benefícios desta estratégia.

Peça ao seu médico que examine as mamas, sempre que for as consultas.

Exija que sua mamografia seja impressa e não seja entregue apenas em CD.

Peça que seu médico veja o filme e comente sobre a qualidade do mesmo. Isto permite uma releitura e diminui as chances de um laudo equivocado não ser visto.

 

A Prevenção Depende de Você! A detecção Precoce depende de todos Nós.

 

autor:  Dr. Eduardo Millen