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Autor(a):

Patrícia Gil

/Inspiração

Você já sentiu medo?

 

Imagino que sim! E quem nunca, não é mesmo?  De acordo com as várias definições do dicionário Aurélio, tem uma que me chamou atenção: “Preocupação com determinado fato ou com determinada possibilidade”. Isso mesmo! POSSIBILIDADE. Só de passar pela cabeça uma possibilidade, ele, o medo, chega chegando e vai tomando conta da nossa vida... Ter medo é absolutamente normal. Acho até, que ele muitas vezes ajuda a nos impor limites, nos fazendo pensar com cautela e ponderar nossas escolhas, atos e decisões. Na medida certa, que mal há nisso? Bom, até aqui, perfeito! Mas, quando este sentimento passa destes limites? Aí pode ser extremamente prejudicial à nossa saúde física, psicológica e social.

Quando descobri que tinha câncer de mama, mal pude acreditar e uma onda de medo e pavor tomou conta de mim, tive medo de morrer, tive medo de como iria enfrentar a sociedade, etc. Quem já passou por esta experiência sabe como é... Masporque? Simplesmente por que eu nunca quis saber sobre este assunto, e nem nada que se referisse a câncer. Hoje eu sei que não ter informação é a verdadeira morte! E aprendi isso muito bem! Claro que mesmo tendo conhecimento de causa, até mesmo um especialista que se depara com um diagnóstico grave, irá tremer na base.Câncer é câncer, não é um simples resfriado e junto com ele virão meses de tratamento e até descobrir de quem se trata este inimigo, a vida vira de cabeça para baixo!

O medo nos cega, paralisa e domina nossos pensamentos. Considero o medo como um bicho selvagem que precisa ser domado e somos totalmente responsáveis por isso.  Se você resolver alimentá-lo, um dia ele vai te engolir!  Não queremos isso não é mesmo? Aprendi a domar o meu bicho. Decidi que por uma questão de sobrevivência eu precisava conhecer e encarar esta fera.Foi aí que passei a enfrenta-lo. Como? Busquei informações, resolvi que não ia mais chorar e principalmente entendi que eu era mais forte do que qualquermedo, câncer ou bicho! O que mais alimenta o medo,sãoos nossos pensamentos e comecei por eles, pensamentos negativos e destrutivos estavam proibidos! Quando determinei que venceria essa luta, percebi uma força tão grande, que não sei de onde vinha, mas foi essa força que me fazia lutar e levantar todos os dias.

Um dia depois de ficar totalmente carequinha, naquela manhã de agosto, olhei fixamente minha imagem no espelho, determinei ali que não iria mais sofrer, que lutaria por amor a minha vida e minha família, que eu faria tudo que fosse possível para ser uma vencedora! Oito meses depois, vivendo um dia de cada vez, sem pressa e muito otimista, recebi um novo diagnóstico, só que agora, o diagnóstico de cura. E quanto ao bicho? Está trancado em algum lugar e joguei a chave fora!

“Ei medo, eu não te escuto mais, você, não me leva à nada!”... ( Jota Quest).