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Autor(a):

Dra. Sandra Gioia

Sandra.gioia@gmail.com

Dra. Sandra Gioia, mastologista do Inca e Coordenadora do Serviço de Mastologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Usina, iniciou em março de 2014 um Programa de Rastreamento Organizado de Câncer de Mama. Conselheira Científica da Fundação Laço Rosa.

/Navegando Pacientes

Pensamentos sobre o SIMRIO 2017

Queridos amigos,

 

Ao final do primeiro dia do SIM Rio 2017 pude sentir que o principal objetivo da SBM Rio havia sido alcançado: promover a integração e mostrar que juntos conseguimos desenvolver trabalhos notáveis e com qualidade. E esta qualidade é um atributo a ser sempre buscado de maneira organizada, coletiva e sinergicamente, diferentemente do que se observa no cotidiano da prestação de serviços de saúde, em que cada um faz o que considera mais adequado, mas sem o resultado desejado.

Temos que nos esforçar em fazer a coisa correta, no momento mais adequado e da maneira certa, não sendo vista como obrigação (pontual) ou o cumprimento de um requisito sem sentido.

Sobre o Seminário das barreiras e estratégias de implementação das Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil faço as seguintes considerações:

1)    Temos um grande problema a ser resolvido e apesar do controle de câncer de mama precisar da atuação multidisciplinar é notório que o mastologista deva assumir a sua responsabilidade de coordenador da linha do cuidado. Temos que valorizar a especialidade e o ato médico;

2)    Convido a todos para refletirem sobre suas práticas de trabalho e se co responsabilizarem na Gestão do Cuidado da paciente com câncer de mama quer seja na Micro, Meso  ou Macro Gestão: desde autocuidado, cuidado as famílias e comunidade, cuidado ofertado nos serviços, cuidado em rede de atenção, formulação de políticas até o encontro por INSTRUMENTOS FINANCEIROS INOVADORES. Isto porque tudo tem um custo e se esperarmos pelo subfinanciado SUS nós nunca chegaremos ao tão esperado resultado: reduzir a mortalidade do câncer no Brasil.

3)    Com organização e apresentando projetos sensatos, robustos e com indicadores de resultados iremos encontrar fontes financiadoras para promover nossa atuação com qualidade;

4)    Para minimizar o caos instalado de imediato precisamos: a. capacitar os profissionais de saúde da atenção primária, aproveitando a onda de implementação das Estratégias de Saúde da Família. Eles serão nossos braços multiplicadores - Solange não cansa de falar isto; b. otimizar os polos diagnósticos das lesões suspeitas, quer sejam palpáveis ou não – Dr. Gebrim está corretíssimo; c. desenvolver o sentimento de INCONFORMISMO do mastologista que está no seu “castelo do saber” e parar de “aceitar” passivamente as tão habituais lesões em estadiamento  avançado. Façam como o Carlos Vinícius em Petrópolis e sejam a CONEXÃO que a Rede de Atenção a Saúde da sua localidade precisa;

5)    Temos que oferecer DIGNIDADE AO USUÁRIO DO SISTEMA DE SAÚDE, retirando barreiras e burocracias com atenção ao SER HUMANO e não a doença em si e transformando o Sistema de Regulação de Doenças em Sistema de Seguimento de Pessoas. E aí temos o projeto de Navegação de Pacientes tão bem explicado pela Allie do GCI que cai como uma luva para nosso tão complexo e ainda fragmentado SUS. E pode ser customizado para cada região do Brasil e atuar desde promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos;

6)    Temos que aprender a sermos organizados para geração e interpretação de dados na gestão do cuidado com qualidade. E não tem outra saída – temos que usar a Tecnologia de Informação em saúde. Isto foi explicitado pelo Fred com o Plano de Atenção Oncológica para o Estado do RJ e pela Ellyete com a Política Nacional de Qualidade em Mamografia, mas que está estagnado pelas amarras políticas. E foi demonstrado o sucesso do Programa de Rastreamento “em Organização” do HC de Barretos pela Ana Paula;

7)    Lirio mostrou como o Instituto Avon quer ajudar financeiramente a oferecer resolutividade ao cuidado das nossas pacientes. E não se esqueçam que o patrocínio Master do SIM Rio 2017 veio da Roche por causa desta temática: detecção precoce do câncer de mama;

8)    Sabrina brilhantemente encerrou o dia e com beleza, carisma e determinação mostrou que não somos deuses e que temos muito que aprender sobre o universo feminino. Estamos esquecendo que existem barreiras culturais e psicológicas a serem desmistificadas.  Acredito que envolver personalidades como ela resolveria muitos dos nossos problemas com detecção precoce. Como bem disse o Ruffo, um médico talvez tenha alcance de dezenas, mas ela tem alcance de milhões de mulheres. Fora do nosso contexto fiquei imaginando a Anitta na televisão/web falando sobre a importância da vacinação contra o HPV – no outro dia seria 100% a taxa de cobertura.

9) As palavras ensinam. Os exemplos arrastam. Sejamos exemplo de boa prática médica e vamos sair da nossa de conforto. E para o futuro penso que temos que trabalhar com ações educativas nas escolas. Educar crianças. Vi isto num pequeno ícone de uma das lâminas da Ana Paula. E mais uma vez tiro o chapéu para o HC de Barretos. Acredito que este tipo de ação deva ganhar mais atenção. Pode ser que elas - crianças hoje e os adultos de amanhã - mudem o cenário atual que não conseguimos em décadas de atuação. E eles pode mudar muitas outras coisas no plano sócio, econômico, político e cultural.

Obrigada pela participação de todos!!!!

Sandra Gioia