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Autor(a):

Patrícia Gil

/Inspiração

Que bicho te mordeu?

Olá meninas!

Já tem um tempinho que não passo por aqui não é mesmo? Estava com saudades de escrever para a coluna, mas ultimamente fiquei um pouco sem tempo. Sabe como é né, a pessoa adora acumular funções e dá nisso. Hehehe... Bom, ainda falando em Outubro Rosa, foi meu primeiro outubro como Embaixadora da Fundação Laço Rosa em Poços de Caldas. Muito intenso e cheio de emoções, pude aprender muito e pôr em prática as atividades e ações de prevenção e informação sobre o câncer de mama. Acho que aprendi em um mês, anos de experiência em todos os sentidos, pode acreditar! Supervaleu cada momento, cada dificuldade e conquista. Acho que ninguém imagina o trabalhão que dá uma simples ação, a mobilização de pessoas envolvidas, a logística, parceiros, entre outros,mas o resultado final e a visibilidade que cada uma resulta  é muito  gratificante!Sei a importância que o outubro tem e não podia deixar de caprichar por aqui...

De paciente à voluntária, quando fui convidada pela nossa Presidente voluntária para ser uma Embaixadora, eu não cabia em mim. Me senti coroada como uma representante da causa! Nem sei se é isso tudo, mas me senti assim. Senti uma enorme responsabilidade em poder levar para todos os lugares as minhas experiências, meus aprendizados, minhas lutas e vitórias. Me descobri uma voluntária nata! Sei que sou muito ansiosa, tenho vontade de resolver e fazer tudo acontecer muito rápido e até me atrapalha um pouco ser assim. Querer fazer o bem e mais por alguém é constante e enorme. Aos poucos fui entendendo que não é só isso, trabalho voluntário te dá a chance de praticar o bem, exercitar cidadania, fazer amigos, sentir o mais puro dos sentimentos que é o amor ao próximo. Depois que experimentei estas sensações, tive certeza absoluta que havia sido mordida pelo bichinho do voluntariado. E quem disse que consigo diminuir os sintomas? Não mesmo! Só aumenta a cada dia. Ajudar, apoiar e cuidar de alguém é inexplicavelmente maravilhoso.

Só que nem tudo é tão maravilhoso e simples assim, infelizmente, como tudo nessa vida, nos deparamos com as diversidades. Diversidades essas que me fizeram descobrir que até para fazer o bem, encontramos obstáculos. Nunca imagineique para realizar trabalho voluntário eu teria algumas dificuldades, só que eu estava muito enganada. Sabe por quê? Porque nesta caminhada não estamos sozinhos e nem teria como estar. É preciso contar com outras pessoas e é aí que o bicho pega! Fazer as outras pessoas entenderem, comprarem a sua ideia e ter poder de convencimento, exige muito esforço e tempo de negociação. Mas se fosse só isso estaria muito bom, a coisa é bem mais complicada, você precisa aprender alidar com pessoas oportunistas, que só querem sair bem na foto ou fazer de uma causa tão nobre uma disputa política. Também descobri que ao defender uma causa é um grande desafio, desafio este que quando a causa atravessa os interesses ou de alguma forma incomoda os poderes, põe em risco um trabalho tão bonito e digno. Tem que ter muito estômago para passar por tudo isso e ainda sorrir. Eu pude experimentar o pior do ser humano, a mesquinhez e o egoísmo. Como tudo, aprendi a me moldar as situações, afinal eu sou uma guerreira, não é mesmo? Pelo menos me embutiram isso e acreditei. Também sou paciente em controle, faço uso de medicação para evitar uma recidiva eàs vezes até me esqueço disso.

Em nenhum momento pensei ou penso em desistir. Sei a importância do trabalho voluntário na vida da paciente eda voluntária. Vivi os dois lados da moeda. Aprendi a separar as coisas. Tudo de bom e legal eu guardo e tudo de feio e mau, jogo fora! A vida é isso, um constante aprendizado que nunca deixará de nos ensinar. Nunca alguém sabe tanto que não possa aprender mais. Eu optei em ser uma voluntária, tenho muito orgulho disso, estou mais amadurecida, mais preparada, acho que até menos ansiosa talvez... Sou conhecedora de causa e efeito, estou nisso por amor e por que acredito na força do bem. 

Mas para você saber de verdade o que estou dizendo, só praticando, e que tal começar? Seja uma voluntária, pratique o bem e deixe o bichinho do voluntariado te morder! Beijos!!