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Autor(a):

Dra. Sandra Gioia

Dra. Sandra Gioia

Dra. Sandra Gioia, Diretora Médica da Mastogin, Coordenadora do Programa de Navegação de Pacientes da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Secretária-Adjunta da Sociedade Brasileira de Mastologia, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Embaixadora do Global Cancer Institute e Conselheira Científica da Fundação Laço Rosa.

Data do Post
08/06/2020
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Navegação de Pacientes e a pandemia de covid19

Reflexões durante a pandemia pelo novo coronavírus: A complexidade do sistema de saúde e a necessidade de pensar e agir diferente.

Para o Brasil, a estimativa para cada ano do triênio 2020-2022 aponta que ocorrerão 66 mil casos novos de câncer de mama. Esta estimativa acompanha a crescente curva de incidência de câncer de mama vista em outros países independente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (INCA, 2020). Infelizmente, diferente dos países desenvolvidos, a taxa de mortalidade por câncer de mama ajustada pela população mundial apresenta uma curva ascendente e representa a primeira causa de morte por câncer na população feminina brasileira, com 13,22 óbitos/100.000 mulheres (INCA, 2018). O Brasil amarga esta crescente curva da taxa de mortalidade devido ao estadiamento avaçando da doença ao diagnóstico e a demora para obter tratamento adequado e em tempo hábil (WHO, 2019). 

Espera-se que estes resultados ruins piorem devido à pandemia pelo novo coronavírus. Segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Patologia houve queda de 50% no número de diagnósticos de câncer nos últimos dois meses, o que leva ao número de 50 mil casos desconhecidos. Somados aos casos novos estarão ainda os milhares de pacientes que tiveram de postergar seus tratamentos. O estudo reflete dois fenômenos que ocorrem nesse período: os cancelamentos de procedimentos e a recusa de pacientes em procurar um hospital com medo de se infectar.

Eterno aprendiz: esteja preparado para o futuro cada vez mais complexo e incerto 

O Programa de Navegação de Pacientes (PNP) é uma das muitas intervenções sugeridas para mitigar os efeitos das disparidades na saúde. O valor do Navegador de Pacientes (NP) vem sendo testado e validado nos Estados Unidos e em vários países desenvolvidos há 20 anos. No Brasil, já existem PNPs, principalmente nas regiões Sul e Sudeste e em nível intrahospitalar do Sistema de Saúde Suplementar (Gioia, 2019).  Observa-se um maior interesse por esta ferramenta de gestão de cuidado no ambiente extrahospitalar para ajudar as pacientes na detecção precoce do câncer de mama, bem como, para o acesso rápido ao início do tratamento e para os cuidados paliativos. Assim, os NPs precisarão de treinamento nos diversos núcleos de competências para que possam realizar a navegação de forma eficaz (Gioia, 2020).

As nossas iniciativas mais recentes, com o PNP no Rio Imagem (pólo avançado de
diagnóstico no Rio de Janeiro) e na Clínica da Família do Andaraí-RJ, mostraram a viabilidade da navegação no contexto brasileiro e com bons resultados: aumento do cumprimento da “Lei dos 60 dias” de 6% para 52% e aumento da taxa de cobertura mamográfica de 14% para 88%, respectivamente. 

Saber o que deve ser feito: melhorias só surgem com ação

A recomendação é que exista um treinamento padronizado para todos os NPs para garantir treinamento em competências essenciais, aquisição de habilidades e conhecimentos básicos e profissionalização, caso o credenciamento se torne desejado ou necessário. O treinamento contribuirá ao ensino fundamental e profissionalização e, espera-se, que esses esforços levem a melhorias no acesso aos cuidados em saúde do câncer, como o de mama, e a redução das disparidades na saúde no Brasil.

Uma das grandes contribuições de um PNP, principalmente pós pandemia, será a coordenação do cuidado para a realização de exames de diagnóstico e início do tratamento do câncer em tempo oportuno.

Se você ou sua organização estiverem interessados em conhecer mais sobre Navegação de Pacientes e sobre Treinamento de Navegadores de Pacientes, entre em contato conosco. 

 “Existem dois tipos de pessoas: “pessoas que apenas vêem problemas e ficam reclamando aos responsáveis e pessoas que vêem problemas e pensam nas possíveis soluções mesmo não sendo responsáveis.”

Dra Sandra Gioia

Mastologista, Conselheira científica da Fundação Laço Rosa