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Autor(a):

Patrícia Gil

/Inspiração

Muito Prazer!

Meu nome é Patricia Gil, sou carioca, casada, mãe de três filhos, ex paciente de câncer de mama, Embaixadora da Fundação Laço Rosa, autora do Blog Lenços ao Vento e uma vitoriosa!

Era um dia como tantos outros, a correria do dia à dia, a criançada pronta para mais um dia de escola e aquela confusão que só quem tem uma casa cheia de crianças sabe bem do que estou falando... (risos). Enquanto eu trocava de roupa para levá-los, meu marido sentado na beira da cama falava sobre alguma coisa que não me lembro mais... A única coisa que lembro bem foi a observação que ele fez, com um olhar mais atento percebeu uma alteração em meu seio, uma retração. Fui até o espelho e de fato, uma pequena covinha na parte de baixo do meu seio esquerdo era visível. Eu não sei por que não imaginei o pior, não passou pela minha cabeça que pudesse ser algo realmente grave. As vezes tento voltar no tempo e lembrar o que eu pensava sobre câncer de mama naquela época, e nada me vem à lembrança, sabe por que? Porque simplesmente isso não era um problema meu e achava que nunca seria. Quanta ingenuidade meu Deus!

Meses depois a retração aumentou e um exame de mamografia confirmou o pior! Sim,era um câncer de mama. Mas por quê? O que eu fiz para merecer isso? Como assim comigo? Incrível, mas são as perguntas que nos fazemos após a confirmação de um diagnóstico como esse. Hoje até me sinto envergonhada por um dia ter pensado assim, tão inocente, egoísta e pequena. Mas não me culpo por isso, talvez a falta de informação e o preconceito me faziam pensar assim. 

Dali alguns meses, após um período de luto, fiz uma quadrantectomia com esvaziamento axilar, quimioterapia, radioterapia e tantas outras pias que foram necessárias. Efeitos colaterais difíceis e intermináveis. Sentia a química dentro do meu corpo, por cada parte dele. Me olhava no espelho e não me reconhecia, todos os dias ao olhar minha imagem ele me lembrava a condição em que me encontrava. Senti falta dos meus cílios, sobrancelhas, perdi a cor e algumas vezes as forças. 

Por uma questão de sobrevivência, assim como em uma guerra, tracei algumas estratégias para combater meu inimigo e a primeira delas foi colocar na minha cabeça que eu era mais forte que ele, eu tinha um câncer, mas ele não me tinha! Nos dias em que estava fora dos efeitos colaterais, procurava ocupar meu tempo com a própria rotina que sempre tive antes da doença, isso me fazia esquecer um pouco a minha condição. Entendi que quanto mais eu conseguisse manter meus pensamentos positivos e a mente controlada, mais chances de tudo dar certo e o tratamento ser um sucesso. E foi!  Mas essa história não foi tão simples assim...

Tenho tantas coisas para contar, tantas coisas para falar... Ensinar? Talvez, mas tenho muito mais a aprender. Daqui pra frente estarei sempre por aqui e vou contar tudinho, combinado? Espero que através da minha experiência em vivenciar um diagnóstico, tratamento e cura de um câncer de mama, eu possa ajudar as pessoas a enxergar por outro ângulo as possibilidades de levar essa fase da vida com mais otimismo, positividade, autoestima e leveza. Até breve! Beijos da Paty.